quarta-feira, 14 de julho de 2010

Desabafo...

Olá meus nobres amigos! Eu precisei me ausentar um pouco, tantas coisas aconteceram e vou contar a vocês aqui, hoje!

Quando somos adolescentes parece que tudo irá fugir de nossas mãos, não pensamos no amanhã e acima de tudo, parece que o mundo quer nos desafiar, ou nos reprimir... é uma revolta misturado a uma inocência, em suma: hormônios! Eles nos deixam loucos!

Aí um belo dia nós acordamos e somos adultos, e todo aquele sentimento some, como num passe de mágica. Você fica algum tempo, às vezes alguns anos – que foi meu caso – pensando, digerindo toda sua adolescência e percebe que estava errado, que se precipitou, que poderia ter feito diferente, o mais importante que constatar tudo isso é: se fosse hoje, você faria diferente? Você está fazendo algo efetivo para mudar o que pode se mudado?

Se a resposta para essas duas perguntas for SIM, você está indo por um ótimo caminho, caso contrário, peço que repense suas ações e seus conceitos.

Quase todos os fins de semana passo na casa do meu namorado, porque ele é vizinho de um prédio, e nele sempre tem alguma coisa para a gente fazer. Eu trabalho por escalas de final de semana, ou seja, tenho que trabalhar semanas no sábado e outras no domingo. Na semana retrasada trabalhei no sábado (dia 03/07/2010).

Estava eu, bonitinha sentada no ônibus indo para a casa do Raphael, quando meu celular toca – como eu costumo ficar ouvindo música e só recebo ligações da minha família e da família dele, nem vejo quem me liga, já atendo pelo fone mesmo – e assim o fiz. Uma voz estranha do outro lado me perguntava se estava ocupada e se já havia saído do serviço, respondi que sim e perguntei quem era; depois de muito tempo (e muita irritação) descobri que era meu ex mestre, o primeiro dos que se intitulava como tal.

Gente! Não sei descrever, foi uma sensação tão ruim e inesperada, que fiquei catatônica. Mas o tratei bem, inclusive marquei até um encontro. Depois que a ligação se encerrou começou uma sucessão de imagens e memórias como se fosse um filme passando na minha cabeça.

Nós nos conhecemos numa noite tranqüila, alguns amigos em comum nos apresentou, e começamos a conversar e a se conhecer. Uma semana depois ele se declarou meu mestre e assim as coisas foram acontecendo... ele se apaixonou por mim, eu disse não, a princípio e depois, com a insistência de um amigo acabei começando a ficar com ele. Ao longo de quinze dias comecei a sentir nojo, e ele sabia, porque eu sempre fui muito sincera, e essa estória não durou mais de um mês.

Nos tornamos amigos e voltamos a relação aprendiz-mestre, e foi só eu ficar com o primeiro carinha, para que tudo fosse água abaixo novamente, e esse foi o estopim para que ele se juntasse com uma menina, que me humilhou na frente de várias pessoas, para que ele deixasse de falar comigo, sem me dar ao menos uma explicação e além disso sumir por 5 anos.

Muita coisa mudou, inclusive eu, é claro! E como esse infeliz conseguiu meu celular?! Era a pergunta que não calava!

Liguei para casa, minha mãe estava indignada porque ele havia ido a minha casa, meu irmão o convidou para entrar e como se não fosse o bastante, deu meu numero do residencial e celular. Que não se contentou de ligar para mim, ligou para minha dando as “boas novas” que iria na minha casa no domingo.

Aquela noite parecia não passar. Eu não conseguia pregar os olhos e o relógio de zombaria com a minha cara. Quando finalmente amanheceu, consegui me distrair numa partida de RPG, e quando deu 18hs fui direto para casa, esperar até que ele chegasse.

Minha mãe falou que conversaria com ele, mas respondi que não era covarde, que precisava falar tudo aquilo que outrora me fora negado. E que dessa vez poria um ponto final definitivo nessa estória! Ela não concordou, mas me apoiou, como toda mãe sempre faz.

Não demorou muito até que meu padrasto me avisasse que ele havia chegado. Quando o avistei de longe, fui inundada por uma onda de ódio, raiva, ira, todos esses sentimentos ruins. Afinal de contas, ele não tinha o direito de aparecer depois de 5 anos na minha casa sem ser convidado como se fosse um amigo íntimo meu e querido da família; me coloquei em seu lugar, e posso assegurar que essa não seria uma atitude que tomaria, caso as posições se invertessem. Quando cheguei diante daquele que um dia vi como o Sol, minha única vontade foi demonstrá-lo toda essa insatisfação.

Carreguei-o para as esquina da minha casa, onde tem um ponto de ônibus – naquela altura, ele não era digno nem de passar em frente ao meu portão – não queria ficar por baixo, mas nem dei a oportunidade para que retrucasse minhas objeções, só o ouvia balbuciar: “Por que você não me falou isso pelo telefone”, aquilo bateu na boca do meu estômago, como uma comida indigesta que provoca ânsia de vômito; logo pulei na frente e disse: “Porque eu não sou igual a você, porque eu não sou covarde e tudo o que eu vou falar, são coisas que estão guardadas há muito, e eu quero falar todas elas olhando bem nos teus olhos!” e assim o silêncio reinou até que finalmente chegássemos ao bendito ponto, até que foi cortado com uma flecha atirada a esmo, foi ele me perguntando se eu o havia levado ali para que ele fosse embora, a resposta foi fria e seca, um simples “não”.

Ele começou me pedindo desculpas, que não imaginava que eu estaria tão magoada, não depois de todo esse tempo, me explicou porque se distanciou de mim, disse que lamentava muito pelas besteiras feitas e ditas, mas que a única coisa que ele poderia fazer quanto a isso era pedir desculpas. Falou que pensou muito em mim na época das chuvas e que ainda se preocupava muito com meu bem estar. Afirmou estar feliz de saber que estou para casar, que gostaria que conhecesse a sua filha e que tudo que fez foi por amor, pois dizia ele: “Eu te amei muito e não podia ver você se destruir daquela forma.”

Ouvi atentamente a tudo o que ele falava, a raiva e o ódio foram extinguindo como a chama de uma vela e deram lugar ao desprezo e a indiferença.

Respondi que lembrava de todo aquele período como se eu fosse uma espectadora de um filme no cinema, que conhecia o enredo, mas que o personagem na se conectava a mim, como se fosse uma pessoa qualquer e não a mim mesma, que ele não tinha o direito de se ofender por danos meus à mim mesma. Mas que eram lembranças que de uma época que não causavam saudades, pois só sentimos saudades de coisas legais e que nos fazem falta e nessa altura, não sentia falta nenhuma das pessoas, nem dos lugares e muito menos das situações, com isso não quero dizer que foi ruim, simplesmente que não sinto falta. Disse que o amei, de uma forma tão pura e singela, talvez da mesma forma que hoje a filha dele o ama. Esse encontro representava – e representa – uma ruptura definitiva e completa daquele ser que fui um dia, para ser hoje uma mulher bem resolvida e feliz com tudo que adquiri com o tempo.

Novamente os sentimentos mudaram já não sentia desprezo e indiferença, pois ele não passava de uma pintura borrada de um ídolo que hoje já não significava nada, e pude sentir até um pouco de ternura.

Depois de muito tempo de conversa pedi para que não me procurasse, que não havia mais nada a ser dito, que estava bem e havia conseguido muitos progressos sozinha e pretendia – e pretendo – me manter nesse caminho. Pedi que ele seguisse a vida dele, que eu estava muito bem seguindo a minha. E o “papo” se encerrou com um abraço fraterno e um adeus.

Agora que toda essa situação foi devidamente esclarecida entre eu e ele, agora que digeri tudo o que aconteceu, agradeço aos Deuses por terem me proporcionado esse encontro, a partir daí posso ter um parâmetro para saber o quanto aprendi e detectar pontos a melhorar. Já que não tenho mestre, eu mesma preciso fazer esse trabalho chato e exaustivo de procurar o que aprender, o que desprezar e ainda pode ser lapidado.

Toda essa estória serve para que possamos aprender a enfrentar a nós mesmos em outras figuras. Para que saibamos que nos superamos, que podemos nos superar todos os dias e acima de tudo, que renovemos nosso compromisso conosco todos os dias, todas as horas, em qualquer lugar.

Agora é hora de tomar novas escolhas, recomeçar velhos objetivos e concluir novos planos. Esse é um ponto de partida, um novo começo e um novo ser. É hora de ser livre e feliz de forma sadia e proveitosa. É desse jeito que me sinto agora, e é assim que pretendo me sentir todos os dias daqui pra frente...

Desejo que um dia vocês possam ter a certeza que hoje eu tenho de que o caminho é esse... evoluir sempre, mas só se for positivamente!

Obrigada pelo tempo e que todos vocês tenham caminhos ricamente abençoados.





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