quarta-feira, 16 de junho de 2010

O Mestre e o Aprendiz...

Aos queridos leitores do Santuário, abençoados sejam!Que vossa leitura sirva para que evolua com a força majestosa do pensar...

O mestre e o aprendiz

- Mestre, li em um dos escritos de Da Vinci que somente um aprendiz medíocre não supera seu mestre, não vejo sentido!?

- Caro aprendiz, é porque tu não sabes o quão grande pode ser a grandeza.

- Mas o senhor tem dentro de si a sabedoria que adquiristes com os Quatro grandes, aprendestes a dominar a ti mesmo, sabeis no que acreditar e no que podeis duvidar, sabes os segredos encobertos pela poeira do tempo e os escondidos nas colunas do templo, sabeis ouvir o que lhe é passado pelos indubitáveis aspectos e espectros, levarás ao teu túmulo os mistérios da vida e morte. Como posso superar isso?

- Não – o mestre riu-se – ainda há muito para aprender, a ti e a mim. Saibas que os mistérios nunca serão dominados. Quanto ao acreditar e duvidar... interessante tocardes neste aspecto! Meu nobre,tu não deves acreditar em nada! Deveis sabê-lo! Deveis carregar contigo uma mosca, ou melhor, um porco que nunca sacia-se. Tendes que acreditar em ti mesmo, pois tua alma é imortal, pois assim a transformou e tendes assim continuar a transformá-la. Tu não precisa aprender nada do que mencionaste, tu já o sabe. Tua jornada é única, é pessoal! É infrutífero perder tempo com algo que já sabeis, uma verdadeira estupidez. Deves achar o que procura para que una-se novamente ao Sol.

- Mestre não consigo entender o que queres falar!

- Tu és meu aprendiz não por acaso, saiba que alguma força maior assim o transformou, para que o lapidasse, o preparasse para que possas encontrar suas respostas por tuas mãos, pernas e inteligência! Ah... bem aventurado é aquele que procura sua verdade com suas pernas, sabe distinguir que aquilo é seu com sua inteligência e toma para si com suas mãos. Tu não precisas entender, pelo menos não agora, deveis assimilar e deixar que tua alma ouça cada palavra que acabo de proferir, sua alma tem sede deixe-a embebedar-se deste mel que acabo de dar-lhe. Tu não deves entender, ainda não possui maturidade para interpretar este ensinamento, mas tua alma... tua alma é mais antiga que os próprios elementos, pois tu vierdes da fonte divina, para onde um dia tudo retorna.

- Mestre... vejo pessoas me olharem estranhamente quando vou procurar alimento na cidade, eles nos chama de loucos, de filhos do demônio.

- É mesmo? – o mestre pergunta com ares de deboche, e solta uma gargalhada, poucas vezes o aprendiz havia visto seu mestre com uma expressão tão divertida. Depois de alguns minutos, o mestre volta a sua expressão serena e volta-se para o aprendiz e prossegue. – Tolos! E isso o incomoda?

- Às vezes!

- Não te incomodes, a mediocridade humana resume-se a condenar tudo aquilo que lhes é desconhecido. Eles nem sabem interpretar aquilo que chamam de livro dos livros, saberão eles interpretar os anseios e mistérios da verdade? De qualquer modo, jamais sejais como eles, jamais os julgueis e os condenem! As religiões são retas divergentes com apenas um ponto em comum: todas acreditam no ente, naquela energia que a tudo deste vida. Essa mesma vida nos implica em leis que a própria física nos ajuda a compreender, a força que há em baixo é semelhante a que há em cima, para que assim o equilíbrio seja estabelecido. Nestes longos anos de estudos, aprendi que acima de tudo a aprendizagem é um dom, que nem todos compartilham. É por isso que existe a fé simples: para aqueles que não tenham esse dom não se sintam desamparados.

- O que é essa tal FÉ?

- Fé? Fé é o poder de acreditar para que as coisas aconteçam! Veja essa flor – o mestre levanta-se acaricia o tronco de uma enorme árvore, na qual descansavam à sombra – esta árvore que verdes hoje, foi plantada por estas mãos, quando eu ainda era uma criança, todos os dias eu vinha a esse ponto, conversar com ela, regava-a; após alguns meses ela começou a crescer, e nos meses certos a adubava, mas por longos e longos anos ela não deu sequer uma flor, mas nunca, em tempo algum deixei de acreditar que um dia ela daria as mais belas flores que já vi em minha vida. Um dia, prostrei-me diante dela, já era um rapaz ávido, e chorei, pois estava começando a não acreditar mais que isso pudesse acontecer, e assim, adormeci. Quando, ainda de olhos fechados, comecei a despertar, senti um aroma inigualável, abri rapidamente meus olhos e havia uma flor caída em minha fronte. Levantei-me ligeiramente e olhei para sua copa, haviam sinais de que em alguns dias ela ficaria lotada de flores, e aquele foi o primeiro florir de minha primeira árvore. À isso chamamos de fé. O poder de fazer algo acontecer.

- Nossa mestre, não conhecia essa estória! Mas quando podemos usar este poder?

- Todos os dias! Com ele atraímos a sorte, o amor, a paz, a prosperidade, a proteção, curamos aos doentes e devolvemos vida aos mortos.

Os olhos do aprendiz se arregalaram e sua mandíbula caiu como se houvesse um peso inigualável.

- Como?

- Isso mesmo que ouviu, mas deixemos que esse mistério fique guardado nas entrelinhas. Antes de tudo, deves concentrar suas energias para o aprendizado, para que um dia sejas sábio.

- Quando saberei que sou sábio?

- Quando tu não ceder aos seus instintos! Quando ao invés de ir, esperar; quando ao invés de falar, calar; quando ao invés de ferir, curar; quando o invés de ensinar, aprender; quando ao invés de ouvir, observar; quando ao invés de guerrear , ceder; quanto tu conseguires enxergar aos ensinamentos extraídos de sua fonte original, quando tu tirares da cabeça a idéia de dominar àquilo que o foi dado para começa a respeitar. Quando conseguires alcançar a isto, serás sábio. E quando fores sábio saras tão forte quanto os monumentos das maiores civilizações e guardarás contigo todas as chaves necessárias para que chegue ás alturas. E aqui acabam meus ensinamentos.

O mestre levanta-se e sai calmamente... O aprendiz tenta assimilar tudo que lhe foi passado sem entender muito.

Espero que vocês tenham entendido!

Autora: Hevelyn Lima




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