sexta-feira, 23 de abril de 2010

Protestantes e Católicos

Antes de mais nada, gostaria de agradecer o convite da senhorita Hyvi, para colaborar com este excepcional blog. Muito bem escrito e com uma linguagem bastante franca e direta, espero não deixar por menos.
Caros leitores recebi este irrecusável convite para postar, quero deixar claro que não sigo religião alguma, entretanto sou um estudioso curioso e dedicado, minha falta de fé não me deixa aquém da busca do conhecimento. No papel de historiador venho trazer informações pertinentes aos leitores, no intuito de esclarecer certos pontos obscuros a cerca do desenvolvimento da sociedade. Neste primeiro relato vou elaborar uma análise a cerca das religiões cristãs, principalmente o Catolicismo e o Protestantismo. Posteriormente começarei a elaborar um ensaio sobre civilizações antigas, e conto com a colaboração de todos, para testar a receptividade dos artigos.
Obrigado Hyvi e aos leitores do Santuário Wicca.

O mundo no qual vivemos está fracionado em diversas linhas religiosas, e desde a invenção da imprensa, vários fragmentos dessas correntes religiosas vagam pelo mundo. Durante diversas análises da Hyvi verificamos a contraposição religiosa como uma das molas mestras da humanidade, e fica claro que o atual líder dos debates é o Cristianismo, pois grande parte das religiões que englobam os humanos está baseada na mitologia judaico-cristã.

O catolicismo é evidente, assim como os Judeus (seguidores da Torá), os diversos ramos dos protestantes, e os Islâmicos, dado as devidas considerações, estão inseridas nesta mitologia. Mas minha abordagem principal será: a grande disputa e hegemonia social ocorrida entre Protestantes e Católicos.

Todos conhecem a narrativa do início das reformas religiosas com Martinho Lutero e suas 95 teses, publicadas em 1517 que combatiam os desmandos do catolicismo, tais como dogmas e simonías. Contudo, o advento das reformas religiosas não se limitaram a Lutero e a Prússia. Em toda Europa, correntes reformadoras foram crescendo. A Igreja Católica tem um novo “inimigo”, não apenas as religiões politeístas, ou o paganismo, o protestantismo, é colocado na linha de frente das perseguições católicas, no início do século XVI, (Que fora arduamente combatido e massacrado, claro que esta perseguição não foi extinguida, apenas ganhou mais um companheiro de perseguição, vide Inquisição).

Depois dessa breve cronologia, coloco o centro do debate, o porquê do rápido desenvolvimento dos Protestantes.

O mundo estava mudando, as religiões pagãs foram praticamente riscadas do mapa, e as sociedades estavam abandonando suas características feudais, marco pelo surgimento das primeiras cidades, um novo sistema político, econômico e social se desenvolve com ela, o Capitalismo. Num primeiro momento, o Catolicismo, manteve diversas restrições a esse novo sistema, pois o poder da Igreja Católica estava baseado no acumulo de terras, por este fato que a Igreja apoiou as grandes navegações Ibéricas, tendo como finalidade novas terras no possível, novo mundo. Informação esta que possivelmente a inteligência da Igreja detinha devido ao fato ser ela também, a maior controladora de informações da época. Uma poderosa Senhora de Feudos era a Igreja.


As teorias reformadoras, junto com o desenvolvimento econômico, influenciaram a quebra desta lógica. As cidades crescem, os comerciantes surgiram, agora temos a religião ideal para o desenvolvimento do Capitalismo, que é o Protestantismo, com suas novas idéias de valorização das coisas mundanas, acabando com a sacralização imposta pela Igreja Católica desde o Concílio de Nicéia, no ano de 325, com Constantino I o “compilador da Bíblia”.

Os protestantes começam a galgar seu desenvolvimento acerca das novas práticas religiosas, o catolicismo está obsoleto, e engessado para esta nova onda. Portugal e Espanha, principais berços do catolicismo europeu, depois da grande explosão de hegemonia mundial, começa a entrar em decadência, novas potências começa a emergir, como Inglaterra e França, dois importantes expoentes dos protestantes. Fato observado pelo intelectual alemão Max Weber, com seu trabalho "A Ética Protestante e o Espírito Capitalista", onde suas abordagens acerca do desenvolvimento econômico social está diretamente relacionado à religião protestante, verificamos na passagem:

“Um simples olhar às estatísticas ocupacionais de qualquer país de composição religiosa mista mostrará, com notável freqüência, uma situação que muitas vezes provocou discussões na imprensa e literatura católicas e nos congressos católicos, sobretudo na Alemanha: o fato de que os homens de negócios e donos do capital, assim como os trabalhadores mais especializados e o pessoal mais habilitado técnica e comercialmente das modernas empresas, são predominantemente protestantes.”
Max Weber

Isso mostra o caráter economicista no qual a Religiosidade se tornou, os católicos obviamente não ficaram para traz, e um processo de contra-reforma religiosa se modernizou, se não o fizesse, provavelmente cairia em obscuridade. Vale confirmar que: o intuito principal das reformas religiosas não foi apenas na aproximação da religião ao povo, mas também para atender novos interesses socioeconômicos, no qual a Igreja Católica não dava brechas ao desenvolvimento, sendo ela própria o grande gestor social, desde então.

As disputas entre católicos e protestantes atingiram uma infinidades de pessoas, mesmo que essas estivessem a quem desta lógica. Inglaterra, França, Holanda entre outros países tiveram um rápido desenvolvimento econômico, todos com o protestantismo como religião predominante, já Portugal e Espanha ficaram à margem da história, estes os maiores representantes do catolicismo europeu. No novo mundo, algumas décadas a frente o protestantismo e os judaísmo confirma essa teoria, com a ascensão dos E.U.A. atualmente o maior país protestante do mundo.

As demais religiões ficaram de lado, pois em sua maioria estavam mais preocupadas com a fé, e suas noções de religiosidades estão mais voltadas para o lado espiritual do que para a lógica mercantil, observando é claro a enorme diferença que há entre religião e religiosidade.


Obrigado a todos...

Noite de São Bartolomeu, quando foi ordenada a
matança dos huguenotes, na tela de François Dubois


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